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o Espiritismo

Palestras Públicas
A Arte no Espiritismo
  1. O que é arte?

“A arte é a busca, o estudo, a manifestação da beleza eterna, da qual aqui na Terra não percebemos senão um reflexo.”
Léon Denis in O Espiritismo na Arte

Desde as mais remotas eras, o Homem vem expressando seus sentimentos e conhecimentos por meio da arte.

Encontram-se tais manifestações nas cavernas habitadas pelo homem de Neanderthal e no Museu do Louvre em Paris, nas pirâmides do Egito e nas obras de Niemeyer, nos Jardins Suspensos da Babilônia e no Teatro Guaíra de Curitiba.

Atividade criadora por excelência é meio pelo qual a criatividade humana se manifesta através de diversos canais de expressão, tais como pintura, escultura, música, dança, entre outros.A arte é forte e poderoso veículo de educação dos sentimentos, dos impulsos da alma, canalizando-os para o Bem e para o Belo.

O objetivo essencial da arte é a busca e a realização da beleza, sendo ao mesmo tempo a busca de Deus e a realização perfeita da beleza física e moral.

A arte bem compreendida é poderoso meio de elevação e renovação, sendo fonte das mais puras alegrias, embelezando a vida, sustentando e consolando o ser humano na sua trajetória para a evolução maior.

  1. Suas manifestações

O papel essencial da arte é expressar a vida com todo o seu poder, graça e beleza, pois vida é movimento, residindo aí a principal dificuldade da arte humana.

O escultor, pela expressão que confere à sua estátua, dá-lhe o movimento que o seu pensamento concebe e cria a ação na imobilidade.

A pintura dá a mesma ilusão através do gesto paralisado na tela.

As qualidades de um verdadeiro e belo estilho literário provocam o pensamento e as reflexões do leitor criando-lhe uma atmosfera mental que contribui positivamente para o desenvolvimento e enriquecimento de suas faculdades e forças morais.

Da mesma forma é preciso desenvolver o teatro, reconstituindo o ideal da cena objetivando as elevadas manifestações das inteligências e dos corações.

  1. A boa música

A música é uma lei moral. Dá alma ao universo, asas ao pensamento, vôo à imaginação, encanto à tristeza, alegria e vida a todas as coisas. É a essência da ordem e eleva em direção a tudo o que é bom, justo e belo, e do qual é a forma invisível mas, no entanto, deslumbrante, apaixonada, eterna.” Platão (427?-347 aC)

Enquanto as várias formas de manifestação da arte têm em si uma rigidez de expressão, a música representa a arte viva, a harmonia móvel e vibrante, aliás a única realmente capaz de reproduzir movimento.

O ritmo está presente na vida do ser humano a partir do seu próprio organismo: o compasso das batidas do coração, da mesma forma que o andar, o balançar dos braços, a seqüência interminável do dia e da noite, os horários das refeições, do descanso, tudo à sua volta fala que o Universo está envolvido em ritmo harmonioso

A música é a própria voz do mundo Superior influindo até sobre a saúde física, pois que arte musical tem sido aplicada como terapia com resultados muito positivos na recuperação de deficientes físicos e até mesmo com os auditivos, sensibilizando-os com a vibração.

Isto porque a música exerce ação sobre os fluidos humanos.

Indo direto ao coração das pessoas consegue muitas vezes sensibilizar até mesmo os espíritos mais endurecidos, pois que a harmonia musical coloca a alma sob a influência de um sentimento que tende a desmaterializá-la, aproximando-a das vibrações mais elevadas.

  1. As composições especiais – os Clássicos

A inspiração (mediunidade discreta)
Música é harmonia e principalmente sintonia. A humanidade recebeu na face da Terra grandes compositores da música erudita, especialmente entre os anos de 1500 e 1800, que trouxeram a lume um sem número de excelentes composições.

Apesar de ser do melhor nível de qualidade apresentado, tais músicas são consideradas como infantis em relação à Espiritual, conforme relatado em Obras Póstumas.

Quase todas as grandes obras musicais tiveram colaboradores invisíveis e foram elaboradas no recolhimento e no silêncio, a preço muitas vezes de longas meditações e de uma comunhão mais ou menos consciente com o mundo superior.

Beethoven, falando sobre a fonte de onde lhe vinha a concepção de suas obras primas, dizia a Bettina: “Sinto-me forçado a deixar transbordarem de todos os lados as ondas de harmonia provindas do foco da inspiração. Tento seguí-las, tomo-as apaixonadamente; novamente elas me escapam e desaparecem por entre a multidão de distrações que me rodeiam...”

Mozart, numa de suas cartas a um amigo confessa: “...durante meus passeios sozinho, os pensamentos musicais vêm a mim em abundância. Não sei de onde vêm, nem como me chegam...”

  1. A execução musical – Instrumental e Vocal

Os instrumentos musicais sempre presentes em todas as épocas da humanidades, vêm sofrendo modificações e aprimoramento em seus formatos em seus materiais e até mesmo em sua forma de execução. Sua finalidade maior é o auxílio ao homem no processo de exteriorização dos seus sentimentos.

A voz humana possui, quando verdadeiramente bela, entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos., podendo expressar todos os estados de espírito.

O canto e a música em sua íntima união podem produzir a mais alta impressão desde que sustentada por nobres palavras.

A introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e beleza.

  1. A Doutrina Espírita – O Consolador

A doutrina Espírita, que é o Consolador prometido por Jesus, atua de várias formas, dentro e fora das Casas Espíritas atendendo aos necessitados de toda ordem.

Aos carentes de pão e agasalho (trabalho assistencial), aos carentes de diálogo (atendimento fraterno), aos carentes de conhecimento (grupos de estudo), aos carentes de equilíbrio (passe e água fluidificada), às crianças e ao jovem que são a sementeira do futuro (evangelização).

Além dessas possibilidades de trabalho na seara Espírita, a manifestação do belo em prol do bem geral é feita através da música quer seja nos trabalhos públicos, seja nos concertos comemorativos ou em outras ocasiões.

Segundo Rossini: “o Espiritismo, com o moralizar os homens, exercerá, pois, grande influência sobre a música. Produzirá mais compositores virtuosos, que transfundirão suas virtudes ao fazerem ouvidas suas composições.”

  1. A música Sacra hoje

O homem vem expressando seus sentimentos por meio da música não somente aos seus entes queridos, mas com maior profundidade naquelas executadas em homenagem ao Criador.

Em ocasião das grandes festas no espaço, dizem-nos nossos guias espirituais, quando as almas se unem aos milhões para prestarem homenagem ao Criador, na irradiação de sua fé e de seu amor, delas escapam eflúvios, radiações luminosas que se colorem de nuances harmônicas e se transformam em vibrações melodiosas.

A música sacra (instrumental e ou vocal) apresenta um caráter que toca mais de perto o divino, enquanto que a música profana se aproxima mais da matéria grosseira.

  1. Reflexões

O pensamento de Deus é a fonte das altas e sãs inspirações. Se nossos artistas soubessem daí extrair algo, encontrariam o segredo das obras imperecíveis e as maiores felicidades.

O espiritismo vem oferecer-lhes os recursos espirituais dos quais nossa época necessita para regenerar-se. Ele nos faz compreender que a vida, em sua plenitude, não é outra coisa senão a concepção e a realização da beleza eterna.

Viver, é sempre subir, sempre crescer, sempre desenvolver em si o sentimento e a noção do Belo.


Bibliografia:

O Espiritismo na Arte - Léon Denis

Obras Póstumas – Allan Kardec

No Invisível - Yvonne Pereira





 
 
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